Quando eu era piá havia uma emissora de rádio, de grande
audiência, chamada Rádio Itaí. Tocava música e tinha programas de
interatividade, já à época. Estou falando do final dos 1960 e começo dos 1970. Tinha
um programa que eu gostava muito de ouvir. Chamava-se “Não diga não à Rádio
Itaí”. Nesse programa o apresentador recebia uma ligação de um, ou uma, ouvinte
e conversava com ele, ou ela, durante um minuto. Nesse intervalo não podia ser
pronunciada a palavra “não” pelo/pela ouvinte. O apresentador podia. Caso o/a
ouvinte conseguisse passar a barreira dos 60 segundos “driblando” as perguntas
do apresentador sem pronunciar um “não” sequer, ganhava um prêmio. Podia
responder às perguntas com outras formas de negação. Só não podia dizer “não”.
Quando, no final do ano de 2013, o time do INTER começou a
ter dificuldades reais e objetivas de acumular pontos e fomos caindo vertiginosamente
na tabela de classificação do Brasileirão, os repórteres só me perguntavam
sobre isso. Era “Z-4” para cá, “Zona da Degola” para lá, “descenso” aqui, “rebaixamento”
ali e não tinha o que freasse o ímpeto pessimista e agourento das perguntas que
me dirigiam. Foi então que me propus a jogar um jogo. Assim como era proibido
dizer “não” no programa da Rádio Itaí, eu driblaria todas as perguntas que me
fossem endereçadas e que remetessem ao “rebaixamento”, à “degola”, ao “descenso”,
ou ao “Z-4” sem jamais mencionar uma dessas expressões. Isso é tabu para nós.
Nessas coisas não se fala. Foi aí que surgiu a “segunda página”. Uma alusão a
uma posição ruim, desconfortável, indigesta, intolerável para os colorados, que
me envergonhava muito como dirigente, mas que não chegava a ser o desastre daqueles
termos que eu me negava a pronunciar.
Interessante. Remete-nos a buscar a leitura das "entrelinhas" do que é dito no mundo do futebol (não somente por dirigentes de clubes, mas também da comunicação). Farei este exercício a partir de então.
ResponderExcluirDe fato, a remota possibilidade de «aquilo» acontecer conosco ouriçou oarte da imprensa, ávida para que isso acontecesse. Mas como diria Vitorio Piffero, essa palavra não faz parte do nosso dicionário.
ResponderExcluirNo momento, Edson. O corinthiano falava isso dos Palmeirenses e teve que engulir a arrogancia. Nos temos que nos preocupar sim contra o rebaixamento pq ate fazermos 46 pontos corremos risco de cair. O ideal seria chegar a essa pontuacao jah no fim do primeiro turno, pq ai abre-se a possibilidade de buscar o titulo que nao nos vem a quase 40 anos.
ExcluirO Cacalo te espezinhou no sala. Guardaste mágoa?
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